domingo, 27 de janeiro de 2013

il mondo nuovo

resolvi viajar assim, sem muitos planos anteriores. alguém me convidou, eu pensei no dinheiro que tinha economizado, olhei o preço das passagens. oras, porque não? "vamos pra paris?" ela me perguntou. "tá, porque não?"
os meses seguintes se seguiram de mudanças, trabalhos, relações frustrantes e frustradas. nada que eu já não conhecesse. pensei pouco na viagem, como sempre. tenho essa imaginação que me leva muito mais alto que qualquer montanha visitável da terra e preferi não pensar muito. nao tenho pensado muito em viagem, em aspectos práticos. há poucos dias uma grande parte de mim ainda vagava pelo atacama, pelo salar de uyuni, pelos lençóis maranhenses... como sempre comecei a preparar minha mala depois de alguma frustração amorosa. nada que eu já não conheça.
dessa vez resolvi, contudo, me desarmar um pouco. não que eu tenha resolvido deixar algumas precauções de lado, ainda carrego duas doleiras, uma cartucheira com um canivete e um cartão suíço, uma bolsa com bolsos falsos e vários planos b financeiros e de segurança. antes fosse dessas coisas que eu me protegesse constantemente, mas sei que vivo em uma paranoia que me diz que não posso me envolver com ninguém por diversos motivos que mudam de acordo com as estações e as frustrações. fiz meus planos dessa vez não pelas coisas que queria ver ou pelo caminho mais seguro, fiz meu roteiro marcando os pontos de mim que deveriam ser ultrapassados, atravessados, atropelados. vincenzo, daniel, luke. e todos os homens que eclipsaram o sentido que eu via na solidão.
"y hace tiempo ya sé que el mundo no es mio ni mi hogar, paso por la vida de alquiller y de turismo sexual".